PET-CT e câncer de pulmão: precisão no diagnóstico e no planejamento terapêutico

Redação GBOT

21 de julho de 2025

07:33

O PET-CT permite identificar com maior precisão o câncer de pulmão e demonstrou ser essencial para antecipar decisões terapêuticas mais assertivas no cuidado e tratamento do paciente.

Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), a previsão é que 32.560 novos casos de câncer de traqueia, brônquios e pulmão sejam diagnosticados no Brasil em 2025.

A mesma fonte informa que:

● a doença leva a óbito aproximadamente 28 mil brasileiros, todos os anos, sendo também uma das principais causas de morte no mundo,

● cerca de 85% dos diagnósticos de câncer de pulmão estão associados ao consumo de derivados de tabaco,

● em torno de 10% dos casos são diagnosticados em estágio inicial.

Recentemente, vários canais de comunicação trouxeram um estudo da Fundação do Câncer, que prevê que se for mantido o consumo atual de tabaco, o número de cânceres de pulmão, traqueia e brônquios deverá crescer 65% até 2040 no país.

Nesse cenário, o PET-CT tem se destacado como uma ferramenta essencial e de alta complexidade para o diagnóstico, estadiamento e planejamento terapêutico do câncer de pulmão, permitindo decisões clínicas mais embasadas e seguras.

Mas, afinal, o que esse exame pode revelar sobre a sua saúde e como ele funciona?

Continue a leitura e confira.

Como funciona o PET-CT e qual seu papel no câncer de pulmão?

O PET-CT é um exame avançado de diagnóstico por imagem que combina duas tecnologias de ponta, que são:

● PET (Tomografia por Emissão de Pósitrons): exame que mostra como os tecidos e órgãos estão funcionando, detectando alterações metabólicas do organismo,

● CT (Tomografia Computadorizada): fornece imagens anatômicas detalhadas da estrutura do corpo.

Trata-se de um exame indolor, não invasivo, que usa sistemas avançados para detectar qualquer tipo de lesão em todo o corpo do paciente.

Em casos oncológicos, como no câncer de pulmão, o PET-CT possibilita localizar o tumor primário, avaliar o envolvimento linfonodal e identificar possíveis metástases em qualquer lugar do corpo, mesmo em locais distantes, com maior precisão.

Por isso, tem papel indispensável no diagnóstico, estadiamento e no planejamento terapêutico, seja para cirurgia, radioterapia ou outras estratégias de tratamento.

Leia também: Tabagismo passivo e doenças respiratórias, um risco invisível para a saúde.

A importância do PET-CT no estadiamento inicial

Dados do Ministério da Saúde indicam que o câncer de pulmão de células não pequenas (CPCNP) é o tipo mais comum da doença, representando cerca de 85% dos diagnósticos.

E ainda segundo o órgão, mais de 90% dos pacientes descobrem a doença quando ela já se encontra no estágio III e IV.

Nesse contexto, o estadiamento clínico inicial é fundamental para identificar o tipo de tumor e determinar se ele está limitado ao pulmão, se invadiu estruturas vizinhas ou se já há metástases em outros órgãos.

O PET-CT apresenta superioridade em relação à tomografia computadorizada isolada, especialmente na detecção de linfonodos comprometidos e metástases ocultas.

Evidências clínicas demonstram que a realização do exame pode alterar o estadiamento clínico, permitindo uma reclassificação mais precisa dos estágios da doença. Isso influencia diretamente na definição da abordagem terapêutica, contribuindo, inclusive, para a redução de procedimentos invasivos desnecessários.

PET-CT na detecção de metástases e linfonodos comprometidos

O PET-CT é altamente eficiente na identificação de tumores metastáticos e linfonodos comprometidos.

O exame possibilita a detecção, quantificação e caracterização de áreas suspeitas de metástases à distância, como no fígado, ossos, cérebro ou glândulas adrenais, mesmo antes que apresentem alterações morfológicas detectáveis por exames convencionais.

Da mesma forma que avalia linfonodos comprometidos regionais e a distância, com maior sensibilidade e especificidade, com base em sua captação metabólica.

Essas identificações são cruciais para o planejamento cirúrgico, evitando intervenções que teriam resultados positivos para o paciente.

Evidências clínicas mostram que o PET-CT pode evitar cirurgias desnecessárias em até 20% dos casos, ao detectar metástases que passam despercebidas por outros exames.

Limitações e cuidados na interpretação dos resultados do PET-CT

Médico trabalhando no laptop

 

Não existem dúvidas que o PET-CT é uma das tecnologias mais sensíveis disponíveis no mundo para detectar o câncer de pulmão e qualquer tipo de lesão no corpo inteiro do paciente.

Porém, embora as combinações de tecnologias sejam altamente precisas, é importante e necessário reconhecer que o sistema não é infalível e pode apresentar limitações na interpretação dos resultados.

Dizemos isso porque casos de processos inflamatórios e infecciosos, situações comuns em doenças pulmonares crônicas, podem gerar falsos positivos. Da mesma forma, tumores de baixo grau de agressividade podem resultar em falsos negativos.

Os falsos positivos ocorrem quando ele detecta alta atividade metabólica que não é câncer, como em infecções, inflamações ou músculos em uso recente. Isso acontece porque o radiofármaco usado para a realização do exame (como o 18F-FDG) também se acumula nessas áreas.

Já os falsos negativos acontecem quando ele não detecta um tumor real, o que pode ocorrer em tumores pouco glicolíticos, como em caso de lesões pequenas ou quando o paciente está com índice alto de glicose no sangue. Situações que dificultam a captação do marcador.

Por isso, é importante correlacionar os achados do PET-CT com procedimentos complementares e com o contexto clínico do paciente, para uma interpretação precisa.

Todavia, vale repetir que o PET-CT representa uma das maiores conquistas da medicina diagnóstica moderna, oferecendo para a equipe médica informações fundamentais para:

● um estadiamento preciso,

● detecção de metástases,

● definição do melhor tratamento,

● maior e melhor monitoramento de resposta às abordagens terapêuticas aplicadas.

Para o paciente, isso significa a possibilidade de iniciar um tratamento mais adequado desde o princípio, evitar intervenções desnecessárias e ampliar as chances de êxito terapêutico.

E, claro, gera mais segurança e qualidade de vida em toda a sua jornada.

Compreender o papel do PET-CT no diagnóstico e no planejamento terapêutico do câncer de pulmão foi interessante para você?

Então, que tal continuar a leitura e saber por que os casos de câncer em homens devem crescer 84% até 2050 e como evitar a doença?

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