Efeitos da exposição ocupacional nos casos de câncer de pulmão

Redação GBOT

24 de novembro de 2025

10:00

Embora subestimada, a exposição ocupacional é um fator de risco significativo para o desenvolvimento de câncer de pulmão no Brasil e no mundo.

Segundo a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), apesar do câncer de próstata ser o mais comum entre os homens, o de pulmão é a neoplasia que mais causa morte na população masculina.

Entre as mulheres, o câncer pulmonar é a segunda causa, tanto em ocorrência quanto em mortalidade; a primeira é o de mama.

Apesar do tabagismo ser o principal fator de risco para a doença, um estudo publicado no The Lancet Respiratory Medicine concluiu que houve um aumento no número de pessoas que nunca fumaram e que desenvolveram o câncer de pulmão.

No Brasil, cerca de 15% dos diagnósticos são em não fumantes, e a exposição ocupacional a diferentes agentes químicos e físicos está associada a boa parte dos casos.

Continue a leitura e entenda a vulnerabilidade de trabalhadores expostos diariamente a fatores ocupacionais que aumentam o risco de câncer de pulmão.

A relação entre exposição ocupacional e risco de câncer de pulmão

Câncer ocupacional é um termo usado para neoplasias causadas pela exposição do trabalhador a um ou mais agentes carcinógenos, que podem ser:

● físicos, como exposições às radiações, poeira mineral, fibras de amianto,

● químicos, como gases tóxicos variados comuns em fundições, indústrias químicas, de tintas e plásticos

● biológicos, como contato constante com fungos e bactérias, presentes em ambientes úmidos e mal ventilados, ou exposição a endotoxinas, comuns em ambientes agrícolas ou industriais com matéria orgânica em decomposição.

Segundo o portal do The Canadian Centre for Occupational Health and Safety (CCOHS), os cânceres de pulmão, de bexiga e mesotelioma são os mais comuns.

Especialmente no que diz respeito ao pulmonar, a exposição ocupacional contínua aos diversos tipos de agentes nocivos pode desencadear processos inflamatórios crônicos no tecido do órgão, tornando-o mais suscetível à carcinogênese.

Segundo o estudo ¨Adoecimento por câncer ocupacional no Brasil: revisão integrativa da literatura¨, publicado na Revista Brasileira de Medicina do Trabalho, profissionais em atividades nos diferentes setores industriais têm duas vezes mais riscos de desenvolver câncer de pulmão, comparados aos que atuam em outros ramos.

Ainda segundo a publicação, a exposição ocupacional ao amianto é uma das principais causas do câncer pulmonar.

Principais profissões e agentes relacionados ao câncer de pulmão

cena monocromatica retratando vida dos trabalhadores em um local da industria da construcao

Diversas profissões estão associadas a níveis elevados de exposição ocupacional.

Entre os grupos de maior risco estão os que atuam na indústria química, no setor de plástico, mineração e metalúrgicas, ambientes que expõem o trabalhador aos mais diversos agentes cancerígenos, do arsênio aos hidrocarbonetos policíclicos aromáticos, da sílica cristalina a metais pesados.

O setor de transporte também favorece a exposição ocupacional aos chamados gases de combustão, o que representa outro risco à saúde do trabalhador.

Atuantes na construção civil também são expostos continuamente ao amianto e à poeira mineral, agentes que representam alto risco à saúde, especialmente no desenvolvimento de distúrbios respiratórios e câncer de pulmão.

Profissionais do ramo da pintura também estão em exposição contínua às substâncias químicas tóxicas presentes em tintas, solventes e vernizes.

Uma pesquisa internacional publicada no Journal of Thoracic Disease indica que as diversas profissões que vivenciam exposição ocupacional contínua a poeiras minerais, metais pesados, gases e produtos químicos apresentam maior incidência de câncer de pulmão ocupacional.

Impacto da exposição ocupacional no cenário brasileiro

No Brasil, o câncer de pulmão representa um dos principais desafios de saúde pública, com impacto significativo na mortalidade e nos custos assistenciais.

Segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA), em 2025 serão diagnosticados mais de 32 mil novos casos de câncer de pulmão e uma parcela expressiva dos pacientes teve a exposição ocupacional como causa da doença.

E nesse contexto, a ausência do diagnóstico precoce e a dificuldade em estabelecer o nexo causal entre a doença e a atividade ocupacional agravam a situação.

Um estudo hospitalar publicado na Revista Gaúcha de Enfermagem evidenciou que trabalhadores com histórico de exposição ocupacional têm um maior tempo de latência até o diagnóstico.

Eles tendem a demorar mais tempo para receber o diagnóstico e, consequentemente, na maioria das vezes, apresentam tumores mais avançados. Essa situação reforça a necessidade de programas de vigilância específicos para grupos de risco.

Outro aspecto relevante é a desigualdade no acesso à informação e aos mecanismos de proteção. Na maioria das vezes, os trabalhadores, sejam eles informais ou em regime de CLT, desconhecem os riscos a que estão expostos, dificultando a adoção de medidas preventivas adequadas e a busca por seus direitos.

Leia também: Câncer supera doenças cardíacas e lidera morte no Brasil.

Prevenção e políticas de saúde para proteger trabalhadores expostos

A prevenção da exposição ocupacional ao câncer de pulmão envolve um conjunto articulado de medidas individuais, coletivas e institucionais.

Isso inclui:

● monitoramento por parte das empresas e autoridades para identificar e reduzir a presença de agentes cancerígenos no ambiente laborativo,

● uso obrigatório e adequado de EPIs,

● programas de conscientização e prevenção,

● realização de exames de saúde ocupacional periódicos para detecção precoce de alterações pulmonares.

É crucial a criação de políticas públicas que estabeleçam normas de segurança e proteção do trabalho, bem como a implementação de programas de atendimento, rastreamento, diagnóstico e tratamento adequados para todos.

Agora, que tal continuar aqui no nosso blog e ler também sobre o alerta para os casos de câncer em homens que devem crescer 84% até 2050?

 

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