Distúrbios respiratórios e oncologia torácica: conexões, causas e evidências

Redação GBOT

18 de agosto de 2025

07:00

Os distúrbios respiratórios e a oncologia torácica possuem conexões que vêm sendo avaliadas por pesquisadores.

O fato é que existe uma relação entre essas duas situações, ou seja, trata-se de uma interação complexa que ocorre em uma “via de mão dupla”.

Para compreendermos melhor esse assunto, vale a pena relembrar que o câncer primário de pulmão é aquele que se origina das células pulmonares.

Já o câncer pulmonar metastático é aquele que se propagou para o pulmão a partir de outras partes do corpo, tais como:

● mamas,

● cólon,

● próstata,

● rins,

● glândula tireoide,

● estômago, etc.

É crucial notar que, durante o sono, o controle respiratório, a função neuromuscular e a resistência das vias aéreas sofrem alterações em relação ao estado de vigília.

Essas alterações não causam nenhum problema em pessoas saudáveis, mas podem ter um impacto negativo para aqueles que possuem alguma doença pulmonar de base.

Neste post, apresentaremos as conexões, causas e evidências dos distúrbios respiratórios e a oncologia torácica. Continue a leitura e confira detalhes a esse respeito!

Prevalência dos distúrbios respiratórios e sua relação com o risco oncológico

A partir de estudos realizados e publicados no portal da National Library of Medicine, concluiu-se que os distúrbios respiratórios, como a apneia obstrutiva do sono, é um fator que colabora para a associação dessa situação com o câncer de pulmão.

As investigações mostraram que existem vários mecanismos biologicamente plausíveis que podem explicar essas associação, tais como:

● imunidade antitumoral prejudicada,

● início de inflamação,

● declínio de melatonina,

● interrupção dos ritmos circadianos.

É interessante observar que a qualidade do sono está diretamente correlacionada com prejuízos na imunidade antitumoral.

Estudos realizados em animais indicam que a privação do sono afeta negativamente o número de células citotóxicas, diminuindo a capacidade do sistema imunológico de responder ao crescimento do tumor.

Os distúrbios respiratórios são bastante comuns durante o sono, através das seguintes situações:

● apneia do sono,

● síndrome das resistências das vias aéreas superiores (SRVAS),

● ronco primário.

Consequentemente, esses estados levam as pessoas à privação do sono, podendo ocorrer a promoção da inflamação, uma situação que pode iniciar o desenvolvimento do câncer de pulmão.

Isso se dá em função da ativação da secreção de citocinas pró-inflamatórias, induzindo um microambiente inflamatório.

Evidências clínicas e mecanismos biológicos relacionados

Estudos clínicos comprovam que existe uma associação entre a apneia do sono e o câncer pulmonar.

Uma metanálise divulgada no periódico Medicine, de Baltimore, Estados Unidos, revelou que o risco de ocorrência simultânea de câncer e apneia do sono atinge 53%.

Esses estudos relacionam também os principais mecanismos biológicos que envolvem essa possibilidade, onde a hipóxia intermitente, a inflamação crônica, o estresse oxidativo e suas implicações contribuem para a proliferação celular desregulada.

Além disso, diversos trabalhos vêm observando os efeitos da hipóxia em células cancerígenas, a partir dos diferentes níveis de gravidade de apneia do sono.

A hipóxia sustentada e a intermitente afetam de forma distintas a proliferação dessas células, induzindo a progressão de tumores pulmonares.

Influência dos distúrbios respiratórios no microambiente tumoral e tipos de câncer

Como vimos, os distúrbios respiratórios influenciam diretamente o microambiente pulmonar, promovendo mudanças metabólicas e imunológicas que favorecem a progressão tumoral.

A associação desses distúrbios com o câncer de pulmão ocorre nos dois tipos histológicos existentes.

Nos casos envolvendo as células não pequenas (NSCLC), a progressão é mais lenta, possibilitando que um tratamento mais direcionado possa ser realizado.

Já nos casos envolvendo as células pequenas (SCLC), as complicações se manifestam de forma rápida, exigindo um tratamento mais agressivo.

Independente do tipo histológico, o fato é que essa conexão existe, portanto, medidas precisam ser tomadas para que as duas situações possam receber a devida atenção.

Fatores de confusão e perspectivas para triagem e manejo integrado

homem idoso fumando cigarro ao ar livre no parque da cidade

 

Após todas essas informações, conclui-se que os distúrbios respiratórios podem ter uma conexão com a oncologia torácica.

Porém, isso não significa que essa condição esteja sempre presente em todas as situações.

É fundamental a atenção para fatores e variáveis que podem influenciar na relação entre essas duas doenças, como, por exemplo:

tabagismo,

● idade,

● obesidade,

● outras comorbidades.

Portanto, nem todo paciente que tem câncer é diagnosticado com algum tipo de distúrbio respiratório.

Não é possível afirmar que alguém com apneia do sono desenvolverá câncer de pulmão. Contudo, é fundamental considerar essa possibilidade e a importância do acompanhamento médico.

Considerando os dados e cenários observados nos estudos, é crucial que pneumologistas e oncologistas torácicos colaborem em um manejo integrado. Essa abordagem visa otimizar a triagem precoce, garantir tratamentos apropriados e aprimorar o monitoramento dos pacientes.

Nesse contexto, a medicina integrativa se destaca ao instruir através dessa premissa:

“A medicina trata o paciente e não a doença.”

Diante dessas informações e após conhecer detalhes a respeito desse assunto, vale a pena ler nosso post que apresenta a IA no diagnóstico por imagem do câncer de pulmão. Acesse e confira!

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