Phantom e a precisão em TCs: avanços na detecção precoce do câncer de pulmão

Redação GBOT

29 de junho de 2026

12:00

O phantom vem ganhando espaço nos protocolos de tomografia computadorizada ao contribuir para a melhoria da qualidade das imagens utilizadas na detecção precoce do câncer de pulmão.

Essa tecnologia tem papel importante principalmente nos exames de baixa dose, utilizados no rastreamento de pacientes de risco, nos quais é necessário equilibrar precisão diagnóstica e redução da exposição à radiação.

Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), a estimativa é de 35.380 novos casos de câncer de traqueia, brônquio e pulmão por ano no Brasil durante o triênio 2026/2028 .

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o câncer de pulmão está entre os mais incidentes no mundo e segue como a principal causa de morte por câncer.

Grande parte dessa mortalidade está relacionada ao diagnóstico tardio, já que os tumores iniciais costumam evoluir de forma silenciosa. Nesse cenário, estratégias voltadas à detecção precoce se tornam fundamentais para ampliar as possibilidades terapêuticas e melhorar o prognóstico dos pacientes.

Foi justamente nesse contexto que a tomografia computadorizada de baixa dose passou a ganhar relevância no rastreamento populacional. E é nesse processo que o phantom surge como ferramenta estratégica para:

  • testar protocolos de imagem,
  • ajustar parâmetros técnicos,
  • avaliar qualidade diagnóstica,
  • contribuir para exames mais seguros e precisos.

Mas afinal, como essa tecnologia pode impactar o rastreamento do câncer de pulmão? Continue a leitura.

 

Phantom e sua função no rastreamento do câncer de pulmão

No rastreamento do câncer de pulmão, a tomografia computadorizada precisa equilibrar dois fatores essenciais:

  • gerar imagens suficientemente detalhadas para identificar alterações pequenas,
  • manter a exposição à radiação no menor nível possível.

É nesse ponto que o phantom ganha relevância.

O dispositivo funciona como um simulador físico do tórax humano, reproduzindo estruturas pulmonares e permitindo avaliar a qualidade das imagens produzidas pelos equipamentos de tomografia.

Em vez de testar ajustes diretamente em pacientes, equipes de radiologia e física médica utilizam o phantom para validar protocolos e analisar o desempenho dos exames em ambiente controlado.

Com isso, torna-se possível avaliar fatores como:

  • dose de radiação,
  • contraste da imagem,
  • resolução espacial,
  • nível de ruído,
  • algoritmos de reconstrução.

Na prática, o phantom ajuda a identificar se os parâmetros da tomografia estão adequados para detectar alterações discretas com maior segurança diagnóstica.

Outro aspecto importante é a possibilidade de padronização dos exames entre diferentes serviços de saúde, favorecendo maior consistência nos resultados obtidos.

Ao apoiar protocolos mais precisos, o dispositivo contribui para tornar o rastreamento mais eficiente e confiável.

Sua função não substitui a análise médica, mas fortalece a qualidade técnica da tomografia computadorizada.

Em diversos países, incluindo os Estados Unidos, phantoms já fazem parte de programas de acreditação e controle de qualidade em TC. No Brasil, iniciativas semelhantes vêm avançando com o desenvolvimento de modelos voltados especificamente para a simulação de estruturas pulmonares e diferentes padrões de nódulos.

 

Desenvolvimento brasileiro e colaborações acadêmicas

Vista lateral jovem conversando com o médico

 

Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), em parceria com o Radboud University Medical Center, nos Países Baixos, e apoio da FAPESP, desenvolveram e validaram um phantom pulmonar voltado ao equilíbrio entre qualidade de imagem e dose de radiação.

O projeto brasileiro foi inspirado em modelos internacionais já utilizados em pesquisas e controle de qualidade, incluindo um dispositivo desenvolvido anteriormente pela Universidade Duke, nos Estados Unidos.

A diferença está no avanço tecnológico incorporado pela equipe brasileira.

Enquanto modelos tradicionais priorizam dados quantitativos, como contraste, resolução e ruído, a versão desenvolvida no Brasil utiliza impressão 3D e resinas específicas para criar estruturas mais próximas da anatomia humana real.

Essa característica antropomórfica aproxima os testes das condições encontradas na prática clínica cotidiana.

O projeto reuniu físicos, médicos, radiologistas, pesquisadores e instituições acadêmicas com o objetivo de melhorar a visualização de nódulos pulmonares pequenos e difíceis de identificar nos exames de rastreamento.

Nesse processo, a participação do Instituto de Radiologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (InRad-HCFMUSP) aproximou a pesquisa da rotina médica.

Imagens reais de pacientes foram utilizadas como referência para orientar a criação das estruturas simuladas no phantom, aumentando o potencial de aplicabilidade clínica da tecnologia.

Assim, o desenvolvimento brasileiro vai além da adaptação de um objeto-teste. Ele integra pesquisa científica, engenharia biomédica e experiência clínica para tornar a tomografia mais eficiente no diagnóstico precoce do câncer de pulmão.

 

Leia também: IA no diagnóstico por imagem do câncer de pulmão

 

Benefícios do phantom na precisão de exames e redução da radiação

Um dos principais benefícios do phantom é permitir a validação técnica dos protocolos de tomografia antes da aplicação clínica nos pacientes.

Com ele, especialistas conseguem testar:

  • nitidez da imagem,
  • contraste,
  • resolução,
  • ruído,
  • desempenho dos equipamentos.

Esse controle é particularmente importante no rastreamento do câncer de pulmão, já que muitos nódulos apresentam dimensões reduzidas ou baixa densidade.

Ao simular diferentes padrões de lesões, o phantom ajuda a verificar se alterações discretas seriam efetivamente detectadas pela tomografia.

Outro benefício relevante está relacionado à segurança radiológica.

Como o dispositivo possibilita testar diferentes níveis de dose, torna-se possível encontrar parâmetros que reduzem a exposição à radiação sem comprometer a qualidade diagnóstica.

Esse equilíbrio é especialmente importante em programas de rastreamento, nos quais pacientes podem realizar exames periódicos ao longo dos anos.

Além disso, o uso do phantom contribui para maior previsibilidade e padronização dos exames, reduzindo variações técnicas entre diferentes equipamentos e instituições.

Na prática, a tecnologia ajuda a unir precisão diagnóstica, segurança do paciente e eficiência operacional.

 

Impactos futuros na oncologia torácica e pesquisa clínica

 

Além do controle de qualidade da tomografia, o phantom amplia as possibilidades de pesquisa em oncologia torácica.

Ao simular estruturas pulmonares e diferentes padrões de nódulos em ambiente controlado, o dispositivo permite validar protocolos antes da aplicação clínica.

Isso pode favorecer o desenvolvimento de estratégias de rastreamento mais padronizadas e comparáveis entre diferentes serviços de saúde.

O phantom também possui potencial relevante na capacitação de profissionais.

Radiologistas, físicos, médicos e equipes técnicas podem utilizar a tecnologia para treinamento, interpretação de imagens e aprimoramento de protocolos diagnósticos.

Outro campo promissor envolve a validação de algoritmos e ferramentas de inteligência artificial aplicadas ao diagnóstico por imagem.

Com imagens simuladas e controladas, torna-se possível treinar sistemas computacionais para identificar alterações pulmonares com maior precisão.

Dessa forma, o phantom deixa de ser apenas um objeto de teste e passa a integrar um ecossistema de inovação voltado à detecção precoce e ao avanço da oncologia torácica no Brasil e no mundo.

Agora que você entende como essa tecnologia pode contribuir para a precisão da tomografia e para o rastreamento do câncer de pulmão, aproveite para explorar também nosso conteúdo sobre o futuro da cirurgia torácica com inteligência artificial e os impactos dessas inovações no cuidado oncológico.

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