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Como conversar com adolescentes sobre o tabagismo?

Antes de tomar qualquer atitude, é necessário entender por que os jovens estão sendo atraídos para o tabagismo

O estudo “Descumprimento da legislação que proíbe a venda de cigarros para menores de idade no Brasil: uma verdade inconveniente”, realizado pelo Instituto Nacional de Câncer (INCA) e Ministério da Saúde (MS), revela que os adolescentes brasileiros conseguem comprar cigarros com facilidade, e isso acontece tanto no comércio varejista formal, quanto através de ambulantes, desrespeitando a lei 10.702/2003 e o Estatuto da Criança e do Adolescente, que proíbem a venda do tabaco para menores de 18 anos.

Segundo Tânia Cavalcante, médica do Inca e coautora do estudo citado, essa constatação é muito grave, pois o descumprimento da lei pode ter, de fato, contribuído para que a queda na iniciação ao fumo no Brasil tenha sido interrompida. Além disso, ela ressalta que os dados da PeNSE (Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar) apontam aumento na proporção de fumantes entre 13 e 17 anos, de 5,1% em 2012, para 5,6% em 2015.

O tabagismo na adolescência pode começar inocentemente, mas o jovem corre o risco de se viciar, o que é um problema a médio e longo prazo. De fato, a maioria dos fumantes adultos começa nessa fase.

Entenda

O tabagismo pode começar para o jovem como uma maneira de se encaixar em um grupo específico de amigos, entretanto, pode existir outras razões.
Alguns adolescentes começam a fumar para controlar a ansiedade, a pressão na escola ou o peso corporal. Outros fazem isso porque sabem que dessa maneira irão chamar atenção dos seus familiares.

O mais importante é entender o processo do seu filho individualmente: o que o levou ao tabagismo? Ele tem total consciência do que está fazendo? etc.
Dica: pergunte ao adolescente o que ele acha do tabagismo e se algum dos seus amigos fuma. Inicie uma conversa leve e direta sobre o assunto. Demonstre que reconhece as boas escolhas do seu filho, além de dialogar sobre as consequências dos caminhos negativos.

Outra opção saudável é explicar sobre o funcionamento das empresas de tabaco: como elas tentam influenciar as ideias sobre o fumo, seja por meio de propagandas diretas, ou mostrando personagens tabagistas no cinema, resultando no falso glamour oferecido. Com isso, o adolescente passará a ter uma percepção mais racional do quadro inteiro.

Dinheiro gasto

O tabagismo é caro. Ajude seu filho a calcular o custo semanal, mensal ou anual de fumar diariamente. Você pode comparar esses valores com o de aparelhos eletrônicos, roupas e outros itens que possam interessá-lo.

Dê ao seu filho adolescente as ferramentas de que ele precisa para recusar ofertas de cigarros. Ensine-o a lidar com diferentes situações sociais.

Fale sobre o vício

Grande parte dos adolescentes acredita que fumar ocasionalmente não o tornará dependente. Muitos deles pensam que, caso se tornem consumidores regulares, poderão parar sempre que quiserem. No entanto, os jovens podem se viciar mesmo consumindo de forma intervalada e com baixos níveis de nicotina.
Lembre ao seu filho que a maioria dos adultos tabagistas começa a fumar na adolescência.

As variações do fumo podem ser atraentes

Os cigarros eletrônicos e com sabor muitas vezes são vistos como menos prejudiciais ou viciantes do que os tradicionais.
Os adolescentes costumam pensar que o narguilé é seguro. Isso não é verdade, todos os dispositivos trazem riscos à saúde. É crucial quebrar essa crença ao conversar com seu filho sobre o assunto.

Os fabricantes alegam que os cigarros eletrônicos são uma alternativa saudável em comparação com os cigarros convencionais, no entanto, existem, sim, substâncias químicas nocivas sendo inaladas. Além disso, os cigarros eletrônicos alimentam o vício em nicotina.

Se o adolescente já começou a fumar, evite ameaças e ultimatos. Ao invés disso, descubra por que ele está fazendo isso – e discuta maneiras de ajuda-lo a largar o cigarro.