A inteligência artificial no diagnóstico e tratamento do câncer de pulmão

Redação GBOT

27 de outubro de 2025

08:00

A inteligência artificial surge como grande aliada na detecção e manejo do câncer de pulmão, sobretudo na análise de imagens e na identificação de perfis clínicos com maior risco, permitindo intervenções mais precisas.

Segundo a OMS, o câncer de pulmão é a principal causa de mortes oncológicas no mundo e sua prevenção e cuidados seguem como prioridade em saúde pública.

No Brasil, o câncer de pulmão figura como o terceiro tipo mais comum entre homens e o quarto entre mulheres, conforme dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA). Apenas cerca de 15% dos diagnósticos são realizados em estágios iniciais, o que infelizmente dificulta significativamente as chances de cura.

Sem contar que os métodos tradicionais de diagnósticos, incluindo exames de imagem e biópsias, podem ser lentos e altamente dependentes da interpretação humana.

De modo geral, o câncer é alvo crescente de pesquisas em inteligência artificial (IA) e a tecnologia surge como uma solução inovadora, capaz de acelerar processos e ampliar a precisão na detecção precoce.

A IA já vem sendo aplicada com sucesso na triagem por imagem, apoio ao diagnóstico, prognóstico e personalização terapêutica no que se refere ao tumor de pulmão, trazendo avanços significativos para a prática médica.

Continue a leitura e confira um panorama do uso clínico atual e das tendências da aplicação de tecnologias de IA na oncologia torácica.

Panorama do uso da IA nas diferentes fases do câncer de pulmão

A IA já está sendo integrada a diferentes etapas da jornada do paciente com câncer de pulmão, agregando valor desde a detecção precoce até o acompanhamento clínico.

Na detecção precoce, algoritmos analisam radiografias e tomografias para identificar nódulos com maior rapidez e consistência, sendo uma importante ferramenta para o radiologista, reduzindo falsos negativos em programas de rastreamento.

A revista científica Onconews traz um estudo internacional apresentado na ELCC 2025 (European Lung Cancer Congress) que validou o uso da inteligência artificial na análise de radiografias de tórax (CXR) e tomografias computadorizadas de baixa dose (TCBD) para antecipar o diagnóstico de câncer de pulmão.

Pesquisadores da Universidade Federal Fluminense (UFF) criaram a ferramenta ChestFinder para auxiliar na detecção de enfisema e câncer de pulmão.

Desenvolvida há dois anos, a tecnologia brasileira continua em teste e vem sendo aprimorada para analisar grandes volumes de dados, incluindo imagens e laudos médicos. O objetivo é identificar padrões visuais e textuais que são indicativos de doenças.

A IA também contribui para a classificação de risco dos pacientes, cruzando dados clínicos, genéticos e de imagem para prever desfechos, orientar decisões terapêuticas e priorizar casos mais graves, favorecendo decisões médicas mais precisas e seguras.

Um estudo conduzido pela Faculdade de Saúde Pública da USP, por exemplo, demonstrou que algoritmos de IA podem prever o risco de mortalidade entre 12 e 24 meses após o diagnóstico de câncer, com base em dados clínicos e exames.

Essa tecnologia permite que médicos priorizem casos mais graves e ajustem o plano terapêutico com mais precisão.

No contexto das diferentes fases do câncer de pulmão, a IA se consolida como um alicerce para um cuidado cada vez mais personalizado, preditivo e eficiente, ampliando as chances de:

● um diagnóstico precoce e diferenciado,

● ajustes terapêuticos mais precisos,

● melhor qualidade de vida.

Benefícios da IA no câncer de pulmão

A IA vem contribuindo de forma efetiva no diagnóstico diferencial e no tratamento personalizado do câncer de pulmão.

Entre os principais benefícios da tecnologia no câncer de pulmão, destacam-se:

Maior acurácia no diagnóstico por imagem: algoritmos detectam padrões sutis em radiografias e tomografias, antecipando a identificação de nódulos suspeitos.

Redução do tempo de análise e interpretação: a automatização dos exames agiliza o fluxo de trabalho médico e acelera o encaminhamento para tratamento.

Apoio à tomada de decisões clínicas personalizadas: a IA cruza dados clínicos, genéticos e de imagem para prever desfechos e indicar terapias mais eficazes.

Otimização de protocolos de tratamento: ao automatizar mensurações, como crescimento de nódulos e volume tumoral, a IA possibilita ajustes conforme a resposta individual do paciente, evitando intervenções clínicas desnecessárias.

Predição de risco e priorização de casos graves: com a IA é possível estimar com maior precisão a probabilidade de risco e mortalidade, orientando condutas mais estratégicas.

O estudo “Enhancing Early Lung Cancer Detection on Chest Radiographs with AI-assistance: A Multi-Reader Study” avaliou o impacto da IA no apoio ao diagnóstico de câncer de pulmão por meio de radiografias de tórax.

Realizado por pesquisadores da Cornell University, a pesquisa avaliou o desempenho de 11 médicos na detecção de câncer de pulmão a partir de radiografias de tórax, com e sem assistência da inteligência artificial.

A inteligência artificial demonstrou um aumento significativo na acurácia da detecção de tumores, especialmente em estágios iniciais. Os resultados indicaram uma melhora de 17,4% na identificação de casos que, de outra forma, não seriam diagnosticados pelos métodos tradicionais.

Também aumentou a detecção de cânceres de pulmão estágio 1 em 24% e estágio 2 em 13%, além de se observar uma padronização do desempenho clínico.

Limitações e desafios no uso da tecnologia em oncologia torácica

doutor usando o notebook

Como toda inovação, o uso da tecnologia de IA no diagnóstico e tratamento do câncer de pulmão enfrenta limitações e desafios, com destaque para:

Dependência da qualidade e diversidade dos dados: algoritmos precisam ser treinados com dados variados e confiáveis. Caso sejam usadas informações limitadas ou pouco variadas, o modelo pode funcionar bem em um contexto específico, mas falhar ao ser aplicado com outras populações, tipos de equipamentos ou protocolos médicos.

Riscos de vieses nos modelos: a IA pode reproduzir desigualdades existentes nos dados, afetando negativamente grupos sub-representados e comprometendo a equidade no cuidado.

Questões éticas de privacidade e transparência: o uso de dados sensíveis sobre o paciente exige proteção rigorosa. Também é crucial que os algoritmos sejam compreensíveis e auditáveis para garantir decisões seguras e responsáveis.

Dificuldade de integração nas rotinas clínicas: incorporar IA ao fluxo de trabalho médico exige adaptação de sistemas já usados, capacitação das equipes e alinhamento com protocolos já estabelecidos.

Necessidade de validação contínua: muitas evidências vêm de estudos retrospectivos, unicêntricos ou com amostras limitadas. Por isso, modelos precisam ser testados e atualizados regularmente em diferentes contextos clínicos para garantir eficácia e segurança em larga escala.

Perspectivas futuras do uso no tratamento do câncer de pulmão

A inteligência artificial tende a ampliar seu papel no diagnóstico e tratamento do câncer pulmão a partir do desenvolvimento de algoritmos mais avançados para prever a resposta ao tratamento, permitindo ajustes terapêuticos mais precisos.

Essa integração de dados genômicos, clínicos e de imagem deve viabilizar terapias altamente personalizadas, adaptadas ao perfil biológico de cada paciente.

Outra tendência é a incorporação da IA em sistemas de monitoramento remoto, que acompanharão a evolução clínica do paciente em tempo real, antecipando complicações e otimizando o cuidado fora do ambiente hospitalar.

Para que essas e outras inovações se estabeleçam, é fundamental investir continuamente em pesquisa, validação científica e colaboração multidisciplinar. Essa colaboração deve envolver profissionais da saúde, engenheiros, cientistas de dados e até mesmo os pacientes.

Agora que você conferiu que a IA já desempenha um importante papel na análise de imagens e estratificação de riscos, que tal continuar a leitura e conhecer a biópsia líquida no câncer de pulmão: uma nova era no acompanhamento de pacientes?

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