A terapia adjuvante é uma importante aliada no tratamento do câncer de pulmão de não pequenas células (CPNPC), uma vez que a cirurgia é considerada a principal estratégia com potencial curativo para pacientes elegíveis.
Os primeiros estudos sobre terapia adjuvante nesse contexto tiveram início em 1965. No entanto, à época, os resultados foram menos conclusivos quando comparados aos obtidos em outros tipos de tumores sólidos. Nas últimas décadas, avanços no estadiamento, na seleção de pacientes e no melhor entendimento da biologia tumoral permitiram uma abordagem mais precisa, direcionada àqueles com maior risco de recidiva.
O câncer de pulmão é reconhecido como uma doença de evolução frequentemente fatal e, de acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), permanece entre as principais causas de morte por câncer no mundo. No Brasil, o tabagismo é responsável por aproximadamente 80% dos óbitos relacionados à doença, o que reforça a importância tanto das estratégias de prevenção quanto do aprimoramento contínuo das opções terapêuticas voltadas à melhoria da sobrevida dos pacientes.
A terapia adjuvante e seu papel no câncer de pulmão
A terapia adjuvante complementa o tratamento cirúrgico ao atuar sobre possíveis células cancerígenas remanescentes que não foram eliminadas pela cirurgia. Ao reduzir o risco de recorrência da doença, essa abordagem contribui para o aumento das taxas de cura e, em contextos selecionados, para a redução da mortalidade relacionada ao câncer de pulmão.
Seu papel é particularmente relevante em pacientes com maior risco de recorrência após a cirurgia. De modo geral, enquadram-se nesse grupo aqueles com comprometimento linfonodal, tumores de maior extensão local ou características histológicas e biológicas associadas a comportamento mais agressivo, nos quais a probabilidade de retorno da doença é mais elevada.
As principais modalidades utilizadas no cenário adjuvante incluem:
- radioterapia;
- quimioterapia;
- imunoterapia.
Embora não garanta a cura em todos os casos, a terapia adjuvante pode oferecer benefício clínico relevante em situações selecionadas, especialmente quando há fatores associados a maior risco de recidiva.

Critérios para indicação da terapia adjuvante e decisão compartilhada com o paciente
A indicação da terapia adjuvante resulta da integração de múltiplos fatores clínicos e patológicos, sendo o estadiamento tumoral um dos principais elementos considerados na prática clínica.
Em pacientes com doença ressecada e maior risco de recorrência — como aqueles com comprometimento linfonodal — a terapia adjuvante pode ser incorporada à estratégia terapêutica com o objetivo de otimizar os desfechos oncológicos.
Além do estadiamento, a tomada de decisão é influenciada por outros aspectos, incluindo o tipo histológico do tumor, o status funcional do paciente e características biológicas específicas da doença.
Diante desse cenário, a terapia adjuvante não deve ser indicada de forma indiscriminada. Trata-se de uma decisão individualizada, que exige avaliação criteriosa do equilíbrio entre riscos e benefícios, além de uma discussão clara e aprofundada com o paciente sobre expectativas, potenciais efeitos adversos e objetivos do tratamento.



