Os anticorpos conjugados a drogas (ADCs) representam uma das estratégias mais
avançadas da medicina moderna no tratamento oncológico.
Os conjugados de drogas-anticorpos, também conhecidos como ADCs (Antibody-Drug
Conjugates), são uma classe de terapias direcionadas que combinam a precisão dos
anticorpos monoclonais com a potência de agentes quimioterápicos, com mínimo impacto
sobre os tecidos saudáveis do paciente.
Nos últimos anos, estas terapias demonstraram progressos notáveis, com várias
aprovações regulamentares e dados clínicos robustos.
Particularmente no câncer de pulmão não pequenas células (NSCLC), os ADCs vêm se
destacando como alternativa terapêutica promissora, ampliando as opções de tratamento e
elevando a esperança de pacientes com perfis moleculares específicos.
O Food and Drug Administration (FDA), agência reguladora dos Estados Unidos, concedeu
recentemente aprovação ao Telisotuzumab Vedotin. Este anticorpo conjugado à droga é
indicado para o tratamento de pacientes com câncer de pulmão não pequenas células
(NSCLC), reforçando o potencial dos ADCs na terapia oncológica.
Continue a leitura e conheça os resultados e os impactos dessa nova terapêutica.
O papel dos anticorpos conjugados no tratamento oncológico
atual
Os anticorpos conjugados constituem uma classe de terapias direcionadas que integram a
especificidade dos anticorpos monoclonais com a ação citotóxica de agentes
quimioterápicos.
A terapia permite a entrega seletiva do medicamento diretamente às células tumorais,
reduzindo os efeitos colaterais sistêmicos, comuns nos tratamentos convencionais.
Como funciona o mecanismo de ação dos ADCs que os diferenciam de outras terapias
oncológicas?
Eles atuam de forma altamente seletiva:
● o anticorpo se liga a uma proteína-alvo presente na superfície da célula tumoral,
● após a internalização, o complexo libera o fármaco citotóxico (payload) no interior da
célula,
● em seguida ocorre a apoptose (morte celular programada),
● por último, há ativação de mecanismos imunológicos complementares, como: ADCC
(citotoxicidade celular dependente de anticorpos), ADP (fagocitose dependente de
anticorpos), CDC (citotoxicidade dependente do complemento).
Resumindo: a terapia com anticorpos conjugados atua de forma seletiva sobre as células
cancerígenas, reduzindo os danos aos tecidos saudáveis, diferentemente da quimioterapia
convencional, por exemplo, que afeta indiscriminadamente estruturas tumorais e não
tumorais.
Leia também: Imunoterapia no câncer de pulmão, avanços e novas abordagens terapêuticas.
Avanços recentes: panorama da eficácia dos anticorpos no
câncer de pulmão
Uma revisão sistemática recente, publicada na revista Pharmaceutics (2025), indica que os
anticorpos conjugados se consolidam como uma alternativa promissora no tratamento do
câncer de pulmão de células não pequenas (NSCLC), baseando-se em ensaios clínicos de
fase II a IV.
Principalmente nos critérios eficácia e segurança, os ADCs têm mostrado avanços
importantes no tratamento da doença.
O DESTINY-LUNG 01 é um estudo clínico de fase II que avaliou o ADC T-DXd
(Trastuzumabe Deruxtecana), direcionado contra HER2, em pacientes com NSCLC
metastático previamente tratado.
Os resultados finais indicam:
● ORR (taxa de resposta objetiva): até 56%,
● DOR (duração mediana da resposta): 16,8 meses,
● PFS (sobrevida livre de progressão): até 12,9 meses,
● perfil de segurança: considerado gerenciável, com eventos adversos como
pneumonite e doença pulmonar intersticial (ILD) monitorados de perto.
Apesar dos avanços, o uso dos anticorpos conjugados ainda trazem alguns desafios a
serem vencidos na formulação, um deles os efeitos adversos, que incluem fadiga, náusea e
risco de inflamação pulmonar.
Todavia, os ADCs estão a cada dia se consolidando como uma terapia eficaz para
pacientes com mutações específicas e doença avançada.
Leia também: Diferença entre remissão e cura do câncer.
Telisotuzumab Vedotin: nova droga aprovada pelo FDA para
NSCLC avançado
Em maio de 2025, o Food and Drug Administration (FDA), agência reguladora americana,
aprovou o Telisotuzumab Vedotin.
A aprovação acelerada fundamenta-se nos dados sólidos e confiáveis do estudo clínico de
fase II LUMINOSITY. Este estudo avaliou a eficácia e segurança do medicamento em
pacientes com câncer de pulmão não pequenas células não escamoso, em estágio
localmente avançado ou metastático, que já haviam recebido tratamento prévio.
O novo medicamento tem como alvo o receptor tirosina quinase c‑Met, frequentemente
associado a prognóstico ruim em NSCLC.
Em termos práticos, este conjugado anticorpo-medicamento (ADC) atua especificamente
contra a proteína c-Met. Em certos tipos de tumores, como o de pulmão, a atividade elevada
dessa proteína está ligada a uma maior agressividade da doença.
A fórmula reconhece as células tumorais e entrega um agente quimioterápico diretamente
nelas, protegendo as saudáveis.
Veja os principais resultados do estudo LUMINOSITY com o Telisotuzumab Vedotin:
● ORR: 35% (IC 95%: 24–46%),
● DOR: 7,2 meses (IC 95%: 4,2–12),
● população estudada: 84 pacientes com NSCLC não escamoso, EGFR wild-type,
previamente tratados, com alta expressão de c-Met (≥50% das células tumorais com
coloração forte 3+).
Impactos da nova terapia com anticorpos para pacientes e
especialistas

É importante destacar que antes da aprovação do Telisotuzumab Vedotin, não existiam
terapias com anticorpos conjugados especificamente para NSCLC com alta expressão de
c‑Met.
Logo, essa prática representará uma esperança concreta para os pacientes com câncer de
pulmão não pequenas células, em estágio avançado ou com metástase, que já passaram
por outras terapias.
Para os profissionais especialistas, o Telisotuzumab Vedotin é uma opção promissora para
oncologia de precisão, com potencial para ser integrado às alternativas de tratamento
personalizado.
Todavia, para que a nova terapia seja eficaz, é essencial realizar o teste de biomarcadores,
especialmente a expressão da proteína c-Met.
Esse teste é feito por meio de imuno-histoquímica (IHC) e identifica pacientes com alta
expressão tumoral (≥50% das células com coloração forte 3+), que são os que mais se
beneficiam da nova terapia.
Agora que você conferiu os resultados e os impactos dos anticorpos conjugados no
tratamento do NSCLC, que tal continuar aqui no nosso blog para saber também sobre como
as nanopartículas estão revolucionando a luta contra o câncer de pulmão?




