Cordel dos Biomarcadores: ciência e cultura popular na 2ª edição de Fábio Távora

Redação GBOT

23 de outubro de 2026

16:17

Cordel dos Biomarcadores: ciência e cultura popular na 2ª edição de Fábio Távora

A literatura de cordel, uma das expressões mais tradicionais da cultura brasileira, é o ponto de partida do Cordel dos Biomarcadores, de autoria do médico patologista Fábio Távora, que chega à sua 2ª edição e tem apoio do Grupo Brasileiro de Oncologia Torácica (GBOT).

A primeira edição, publicada em 2023, já tratava dos biomarcadores no câncer de pulmão. A 2ª edição revisita o mesmo tema, atualizado de acordo com a evolução da área desde então, incluindo novos alvos terapêuticos, novas tecnologias e mudanças na prática do diagnóstico.

Em quinze estrofes, o autor aborda, com linguagem acessível e bem-humorada, temas centrais do diagnóstico e do tratamento do câncer de pulmão, como os exames moleculares, a preservação das amostras de biópsia e o trabalho conjunto entre especialistas.

O que são biomarcadores?

Biomarcadores são características do tumor, como alterações em genes ou proteínas, identificadas por exames laboratoriais. Esses exames são feitos a partir de uma amostra de tecido obtida por biópsia ou, em algumas situações, de uma amostra de sangue.

No câncer de pulmão, os resultados ajudam a equipe médica a definir o tratamento mais adequado para cada paciente, incluindo terapias-alvo e imunoterapia. Por isso, a realização dos testes no momento certo e com qualidade tem impacto direto no cuidado.

Quais temas o cordel aborda?

Ao longo dos versos, o autor percorre diferentes etapas da jornada diagnóstica:

  • novos alvos terapêuticos: a ampliação dos painéis de genes analisados e o surgimento de medicamentos para alterações antes consideradas sem tratamento;
  • cuidado com a amostra: a importância de preservar o tecido da biópsia, geralmente pequeno, e de garantir sua fixação adequada para que os exames sejam possíveis;
  • biópsia líquida: a análise do DNA tumoral no sangue como alternativa quando a biópsia de tecido não é viável, com suas vantagens e limitações;
  • patologia digital e inteligência artificial: o uso de ferramentas computacionais na análise das lâminas, sem substituir a responsabilidade do médico pelo laudo;
  • acesso aos testes: as dificuldades burocráticas para autorização dos exames e o impacto do tempo de espera;
  • trabalho multidisciplinar: a integração entre patologistas, oncologistas e pneumologistas, com o paciente no centro do cuidado.

Segundo Fábio Távora, “muita gente não sabe que, por trás de cada tratamento, existe um pequeno fragmento de tecido que precisa ser bem cuidado. Hoje, a partir de uma biópsia muitas vezes do tamanho de um grão, precisamos analisar dezenas de genes, e cada etapa conta: a coleta, a fixação, o processamento e a interpretação. Dele depende o diagnóstico, e muitas vezes a escolha do medicamento. Esse trabalho só funciona em equipe, com o paciente no centro. O cordel foi a forma que encontrei de contar isso de um jeito que qualquer pessoa possa entender”.

Por que o GBOT apoia a iniciativa?

Ampliar o acesso ao diagnóstico molecular do câncer de pulmão no Brasil é uma das prioridades do GBOT. O tema integrou as ações do Agosto Branco 2026, campanha nacional de conscientização sobre a doença.

Iniciativas que aproximam ciência e cultura contribuem para levar informação de qualidade a profissionais de saúde, pacientes, familiares e à população em geral.

Como acessar o material?

O Cordel dos Biomarcadores – 2ª edição está disponível gratuitamente para download:

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