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Por que a internet pode representar riscos à saúde física e mental de pacientes com câncer?

A ampla circulação de notícias falsas sobre saúde, na internet, especialmente nas redes sociais, é enganosa e potencialmente perigosa, já alertaram as autoridades de saúde.

Estamos na era da informação, e, como sabemos, grande parte dessa evolução é decorrente do avanço das tecnologias. Como uma faca de dois gumes, a Web pode ser traduzida como um benefício em diversos aspectos, e, por outro lado, a falta de fontes confiáveis, e o uso indevido das redes sociais, muitas vezes causam sérios danos ao equilíbrio emocional de um indivíduo, bem como em sua saúde física.

A desinformação publicada por sites de conspiração sobre condições graves de saúde é compartilhada mais amplamente do que os relatórios baseados em evidências de organizações de notícias respeitáveis, de acordo com a análise do jornal The Independent. Dos 20 artigos mais compartilhados em 2016 no Facebook, com a palavra “câncer” na manchete, mais da metade relata reclamações desacreditadas por médicos e autoridades de saúde.

E não é apenas sobre câncer: dos cinco principais artigos de notícias com “HPV” na manchete, os três com maior número de compartilhamentos, curtidas e engajamentos no ano passado foram declarados como falsos pelo site Snopes, especializado em checagem de fatos.

Guia esclarecedor

“Toda semana há dezenas de notícias sobre avanços médicos e drogas maravilhosas. Muitas vezes, essas histórias oferecem esperança de encontrar algo que faça mais do que os medicamentos convencionais. Mas a evidência por trás de muitas dessas histórias não é confiável ”, disse um porta-voz da instituição de caridade Sense About Science, que criou um guia para pacientes sobre deturpação de evidências científicas e de saúde on-line.

“Embora não haja uma maneira fácil de saber em que acreditar, há perguntas que você pode fazer, incluindo quais são as evidências para essa afirmação, o que a pesquisa mostra, o que outros cientistas dizem? “Ao saber que tipo de perguntas fazer, todos nós podemos dar passos para uma mudança cultural em histórias falsas de saúde”, completou.
Pacientes assustados

A Instituição Macmillan Câncer Support demonstrou preocupação sobre este assunto, informando em seu site que, um dos grandes perigos do uso inadequado da internet, é o fato de os pacientes estarem deixando as consultas sem as informações que precisam, e recorrendo a sites não-verificados, deixando-os desnecessariamente assustados e em risco de curas falsas.

Por exemplo, uma pesquisa na Internet levou a uma página com a seguinte informação: “a quimioterapia é um assassino maior do que o próprio câncer”, enquanto outro site relata que o bicarbonato de sódio pode curar o câncer de mama.

A pesquisa da Macmillan também mostrou que:

– Mais de 2/5 (42%) das pessoas com câncer pesquisaram informações sobre o diagnóstico on-line;
– 1 em cada 8 (13%) dos pacientes disseram que entraram on-line porque não entenderam completamente o que lhes disseram sobre sua doença;
– Estima-se que 60.000 (6%) britânicos com câncer pensaram que iriam morrer depois de procurar informações on-line;
– A mais recente Pesquisa de Pacientes com Câncer (CPES) na Inglaterra revelou que mais de um quarto das pessoas acometidas pela patologia (28%) informaram não terem recebido informações escritas fáceis de entender sobre o tipo de câncer que têm.
A instituição de caridade reconhece que a internet é uma ferramenta vital para pacientes com câncer obterem informações sobre seu diagnóstico, opções de tratamento e apoio. Mas é importante que as pessoas tenham acesso a informações confiáveis on-line, podendo, assim, separar o joio do trigo, sem mais Fake News perigosas.

Mas então, por que os boatos sobre o câncer são tão persistentes?

Segundo Juan Antonio Cruzado, diretor do Master em Psico-Oncologia da Universidad Complutense de Madrid, uma das grandes causas para que esses boatos ganhem tanta notoriedade, é o medo.

“O câncer se transformou na doença mais temida por nossa sociedade, por isso é normal que as pessoas tenham um medo especial e compartilhem mais informação, mesmo que seja falsa”, finalizou.

Muito cuidado ao compartilhar conteúdo on-line, é necessário checar muito bem as fontes, pois uma simples informação pode prejudicar a sério um paciente confuso.