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Outcomes after Stereotatic Body Radiotherapy versus Limited Resection in Older patients with early-stage lung câncer

A ressecção limitada do câncer de pulmão (ressecção em cunha ou segmentectomia), assim como a radioterapia estereotática (SBRT) surgiram, nos últimos anos, como novas opções para o tratamento de pacientes idosos com câncer de pulmão não-pequenas células (CPNPC), em estadios iniciais, não candidatos à lobectomia.

 

A ressecção limitada do câncer de pulmão (ressecção em cunha ou segmentectomia), assim como a radioterapia estereotática (SBRT) surgiram, nos últimos anos, como novas opções para o tratamento de pacientes idosos com câncer de pulmão não-pequenas células (CPNPC), em estadios iniciais, não candidatos à lobectomia.

Neste estudo os autores realizaram uma análise retrospectiva, a partir do banco de dados do registro SEER (Surveillance, Epidemiology and End Results- Medicare), identificando pacientes maiores que 65 anos com estádios I e II de CPNPC, com linfonodos negativos, tratados com SBRT ou ressecção limitada. Foi desenhado um modelo estatístico que permitiu a comparação da sobrevida global dos pacientes de acordo com as duas técnicas. Análises secundárias estratificaram a amostra pelos seguintes fatores: tipo de ressecção (em cunha ou segmentectomia), idade (< 75 anos versus > 75 anos), e tamanho tumoral (< 3 versus > 3 cm). Também foram feitas comparações entre as taxas de complicações da cirurgia e toxicidade relacionada à radioterapia.

Foram identificados 2243 pacientes, dos quais apenas 362 (16%) receberam SBRT. Os pacientes tratados com SBRT eram mais idosos, com um índice maior de comorbidades e tumores maiores (p< 0,001). A análise não mostrou diferença estatística entre a sobrevida (HR 1,19; 95% IC 0,97-1,47) de pacientes tratados com SBRT e pacientes tratados com ressecção limitada. Entretanto, quando divididos por tipo de ressecção, a sobrevida de pacientes tratados com SBRT foi semelhante à sobrevida de pacientes tratados com ressecção em cunha (HR 1,22; 95% IC 0,98 – 1,52). Enquanto que SBRT apresentou um resultado pior de sobrevida se comparada à segmentectomia (HR 1,55; 95% IC 1,18 – 2,03). Os eventos adversos mais frequentes foram respiratórios e na maioria das vezes relacionados à ressecção limitada (28% versus 14%; p< 0,001).

A conclusão dos autores é que SBRT é melhor tolerada e associada com sobrevida semelhante à ressecção em cunha, mas não à segmentectomia, em pacientes idosos com CPNPC, em estadios iniciais (linfonodos negativos).

A incidência de CPNPC em estádios iniciais tende a aumentar exponencialmente, com a implementação do rastreamento de câncer de pulmão. A população idosa acometida também. Técnicas menos invasivas, como SBRT e ressecções limitadas, já vêm sendo utilizadas com maior frequência. Infelizmente há uma escassez de estudos robustos, randomizados, que permitam uma comparação direta entre as diferentes modalidades de tratamento.

Autores: Nicole Ezer, Rajwanth R. Veluswamy, Grace Mhango et al.

Referência: Journal of Thoracic Oncology, 2015; 10 (8): 1201

Comentado por: Clarissa Baldotto

Médica Oncologista do Instituto Nacional de Câncer
Mestre em Oncologia Clínica
Diretora Médica de Cuidado Integrado do Grupo COI – RJ