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Uma nova abordagem para identificar pacientes com DPOC não-diagnosticada

Uma nova abordagem para identificar pacientes com DPOC não-diagnosticadaAmerican Journal of Respiratory an Critical Care Medicine 2016

Artigo resumido por César Machado.
Autor principal: Fernando Martinez (in press, publicado online em 26 de outubro 2016)

Uma nova abordagem para identificar pacientes com DPOC não-diagnosticada

Objetivo: desenvolver um método para identificar pacientes não diagnosticados com DPOC e que requerem tratamento.

Apesar de ser o teste padrão ouro para diagnóstico de DPOC, a espirometria ainda não é recomendado como teste de rotina a ser realizado na população geral em assintomáticos, como opção de rastreamento. Por outro lado, apesar dos questionários oferecerem uma opção prática de identificar pacientes sintomáticos sem diagnóstico definido de DPOC e que beneficiaria de tratamento, esta ferramenta, não faz referencia quanto a severidade ou risco de exacerbação, resultando na identificação de uma proporção grande de pacientes com doença leve.

Os autores deste artigo propõem que a combinação do questionário e a medida do PEF (peak expiratory flow) realizados na prática de clínicos generalistas, otimizaria a identificação de pacientes que se beneficiariam de diagnóstico futuro (ou seja, aqueles com FEV1 < 60% e/ou de risco para exacerbação).

Estudo multicêntrico, caso-controle nos EUA em clinicas de pneumologistas e clínicos generalistas nos quais os casos foram pacientes com DPOC e pelo menos 1 exacerbação no último ano ou VEF1 < 60% sem exacerbação no último anos. Os controles foram pacientes sem DPOC ou DPOC leve (VEF1 > 60% e sem exacerbação no último ano).

Aplicaram um questionário com 44 itens divididos em 6 área: exposição, história médica e familiar, eventos respiratórios no último ano, sintomas respiratórios, outros sintomas e impacto de limitações da respiração na vida cotidiana.

Espirometria e PEF foi medido em 186 pacientes do grupo de intervenção e em 160 dos controles. O PEF correlacionou significativamente com VEF1 (r=0.82) e VEF1% (r=0.70). OS dois testes aplicados juntos mostraram uma sensitividade de 89.7% e especificidade de 78.1% para casos X controles, incluindo aqueles com DPOC leve. Quando se comparou apenas com os não-DPOC, apesar de manter a mesma sensibilidade, a especificidade aumentou para 93.1%. Usando apenas PEF , os pontos de corte de < 350 L/min para homens e < 250 L/min para mulheres foram capaz de identificar DPOC clinicamente significante.

Os autores concluem que nesta população usando a combinação de medida de PEF em conjunto com aplicação de questionaria auto-aplicativo na prática médica generalista, pode-se identificar pacientes que necessitam avaliação diagnóstica futura e até mesmo tratamento precoce para DPOC.

Entretanto, salientam que esta ferramenta foi utilizada na abordagem de “case-finding” e não como teste de rastreamento na prática diária. Para que isso ocorra, necessita ser validade em amplo estudo prospectivo.

César Garcia Machado
Título de especialista em pneumologia, medicina interna e medicina intensiva pelo American Board o Internal Medicine e pela Associação Médica Brasileira;
Mestre pela Escola Baiana de Medicina e Saúde Pública;
Atualmente é pneumologista e preceptor da residência de clínica médica do Hospital Português da Bahia.