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Mitos sobre alimentação anticâncer

Muito se fala sobre o poder dos alimentos anticânceres, e, de fato, existem formas válidas de prevenção, mas é preciso estarmos atentos às fontes dessas informações para separar o que é embasado em estudos práticos e o que é mito.

A comunidade científica sempre se dedicou a estudar a relação entre dieta e câncer, entretanto, muitas informações infundadas são compartilhadas na internet como verídicas, geralmente para obter cliques. A realidade nesse campo é que existem suposições errôneas, mas também são realizados muitos testes e pesquisas com foco na alimentação anticâncer.

O radioterapeuta e ex-ministro da Saúde do Peru, Luis Pinillos Ashton, informou que múltiplas vitaminas e nutrientes, que sempre foram ligados à prevenção, tiveram sua eficiência descartada por estudos mais aprofundados. A maior problemática nas afirmações a respeito da alimentação anticâncer é que existem muitos estudos inconclusivos sobre o assunto, e por este motivo, muitos mitos são criados. “Há muita informação equivocada porque ainda nos falta conhecer muita coisa. Vamos aprendendo a cada dia”, afirmou o Dr. Luis Pinillos.

É possível evitar o câncer por meio da alimentação?

Sim. Uma dieta in natura, ou que inclua comidas minimamente processadas, pode ajudar a prevenir o câncer, além de outras doenças. São elas: verduras, legumes, frutas, feijões e cereais integrais. Além disso, é recomendado o consumo de, no mínimo, cinco porções de vegetais – ou 400g diariamente, sendo três de verduras e legumes (sem amido) e duas de frutas.

Existem alimentos que podem curar o câncer?

Não. Como explicado no parágrafo anterior, existem dietas saudáveis, contendo alimentos que fazem bem e até fazem parte do “pacote” preventivo, mas até estes não são milagrosos, nenhum é. A Nutrição é uma das ciências mais associadas às polêmicas, pois existem pesquisas que evidenciam, para o bem e para o mal, lados opostos de uma mesma verdade.

Açúcar

Ao ser diagnosticado com câncer, o jornalista Marcelo Rezende, falecido há 7 meses devido a um câncer pancreático, optou por mudar radicalmente sua dieta, e um dos seus focos era cortar de vez a sacarose do regime, pois muitos acreditam que o açúcar alimenta os tumores.

Segundo o oncologista Elge Werneck Junior, esta hipótese é um mito e não existem estudos científicos que comprovem a teoria. Embora a substância crie, de fato, processos inflamatórios em nosso sistema, favorecendo o risco do desenvolvimento da doença, ela não pode ser responsabilizada por um
organismo complexo inteiro.

“Não existe uma apologia contrária à dieta, mas não existem evidências de que ela pode ser benéfica para pacientes com câncer. Jamais podemos abrir mão do tratamento oncológico, que é cientificamente comprovado, em detrimento de uma coisa experimental”, afirmou Werneck sobre o perigo de substituir a quimioterapia por uma reeducação alimentar. O tratamento sempre deve ser integrativo.

Vegetais crucíferos

Vegetal crucífero é aquele que possui enxofre em sua composição. Ele contém as vitaminas A, B1, B2, C e K, além os minerais cálcio, ferro e potássio.

Uma pesquisa publicada no Journal of Academy of Nutrition and Dietetics (Revista da Academia de Nutrição e Dietética, em tradução livre) avaliou Marcadores Sanguíneos Inflamatórios em 1.005 mulheres com uma média de idade de 58 anos, durante 12 meses, antes e depois do consumo de vegetais crucíferos, mostrou que o grupo consumidor diário de uma quantidade entre 99g e 140g desses alimentos teve uma redução nos marcadores de estresse pró-inflamatórios. Os vegetais consumidos no experimento foram: couve chinesa, repolho verde, couve-flor, nabo e rabanete.

É importante ressaltar que, mesmo com esse e outros estudos já realizados com resultados favoráveis ao consumo do crucíferos como aliados da prevenção ao câncer, é necessário renovar constantemente as pesquisas para comprovar cientificamente a ação desses vegetais no organismo.

Peixes e o mercúrio

Dr. David Khayat, um oncologista francês e ex-chefe do Instituto Nacional do Câncer na França, lançou um livro onde corrige alguns equívocos comuns sobre alimentos e riscos de contrair o câncer.

Segundo ele, frutos do mar estão entre os alimentos mais saudáveis e que devem ser comidos regularmente. É repleto de proteínas, chamadas “gorduras boas”, como ômega-3 e ômega-6, e é mais baixo em calorias do que os outros tipos de carne. Entretanto, grande parte do peixe que comemos carrega traços de mercúrio, chumbo e outros poluentes conhecidamente carcinogênicos.

Embora o nível padrão de consumo de peixe das pessoas não pareça estar vinculado a um risco superior do desenvolvimento de tumores, Khayat usa peixes como uma ilustração para explicar que não é inteligente ou correto definir alimentos como invariavelmente bons ou ruins para o organismo. Nossos corpos são complexos, o câncer é complexo e o que comemos pode fornecer uma complexidade de valor nutricional para o corpo. O importante é descobrir a sua bio-individualidade e tirar o melhor proveito da sua alimentação.

Ainda segundo o oncologista, para aqueles que querem distância do mercúrio, a melhor estratégia é evitar Espadarte, Salmão e Atum e, em vez disso, comer mais Sardinha, Black bass (Micropterus salmoides) e Camarão.

Carne vermelha

A velha suposição de que a carne vermelha é automaticamente um ímã para o câncer é muito simplista, de acordo com Khayat. Algumas pesquisas ligaram o consumo desse alimento ao aumento do risco de adquirir tumores no cólon e na próstata, porém a evidência ainda é um pouco confusa.

É necessário averiguar como a carne é consumida em diferentes áreas do mundo: enquanto na França ela é mais magra, e os moradores do país a consomem de forma moderada, a carne vermelha americana costuma ser mais pesada e gordurosa. Além disso, uma boa parcela dos estadunidenses tende a exagerar no consumo de comida.

A forma como a carne vermelha é cozida também influencia no risco de câncer. É provável que os norte-americanos usem grelhas ou façam churrasco com suas proteínas, o que comprovadamente aumenta o nível de carcinogênicos.

A carne vermelha não tem que necessariamente ser perigosa à nossa saúde. O oncologista concluiu que, enquanto os cortes forem leves e comermos com moderação, ela pode ser parte de uma dieta equilibrada. O frango também é uma excelente fonte de proteína e não apresenta riscos conhecidos de câncer.

Informações retiradas do Portal do Inca (Instituto Nacional de Câncer);
NCBI – National Center for Biotechnology Information;
Blog Graças Nutri;
Medical Daily.