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Impact of Age and Comorbidity on Non–Small-Cell Lung Cancer Treatment in Older Veterans

Autores: Sunny Wang, Melisa L. Wong, Nathan Hamilton, J. Ben Davoren, Thierry M. Jahan e Louise C. Walter. Artigo comentado por: Samira Mascarenhas

A discussão do tratamento do subgrupo de idosos é de extrema importância. Neste subgrupo temos um número representativo de portadores de Câncer de pulmão não pequenas células e com a mudança do perfil populacional será cada vez mais presente. Há muitos estudos na população de idosos, que demonstram benefícios de realizar tratamento, não apenas em pacientes estádio IV, mas também em pacientes portadores de doença localizada.

Algumas questões devem ser levantadas, como a presença de comorbidades associadas, a diferença em idade cronológica e idade funcional.

O estudo em questão identificou uma coorte de pacientes com idade igual ou superior a 65 anos, no Período de 1 de janeiro de 2003 e 31 de dezembro de 2008, no VETERANS AFFAIRS (VA) e determinou as taxas de tratamento de CPNPC recomendadas por guideline. Dados foram obtidos dos registros do banco de dados, sendo uniformemente coletados, para todos os pacientes que receberam diagnóstico de câncer no VA ou receberam primeira linha de tratamento. A coorte gerada possui 21178 pacientes que tenham feito pelo menos uma visita ao VA. Foram excluídos 657 pacientes sem informações do estadiamento e 10 pacientes diagnosticados na autopsia. Foram feitas as coletas de dados, e feita a determinação do tratamento de primeira linha, em todos estádios e feita referencia ao NCCN.

Como resultado foi evidenciado que 51% dos pacientes com doença local, 35% dos pacientes com doença regional e 28% dos pacientes com doença metastática foram tratados de acordo com recomendações de guideline. O mais forte preditor de tratamento recomendado por guideline, foi a idade, evidenciando nesse grupo, que a idade por si só continua sendo um fator determinante de tratamento, independente de doença localizada ou metastática. Foi encontrado que pacientes mais idosos com ausência de comorbidades tem mais baixas taxas de tratamento recomendado por guideline, do que aqueles pacientes jovens com comorbidades severas.

Esse foi um estudo com um número significativo de pacientes acima de 65 anos, que evidencia um realidade de tratamento, no subgrupo de pacientes idosos. Sendo que o fator idade isolado foi o fator mais importante na decisão do tratamento do paciente. Essa é uma questão muito mais complexa do que parece. Esse é um estudo de coorte, realizado entre 2003 e 2008, nesse período muitas coisas mudaram na realidade da oncologia torácica. Estudos foram concluídos, a curva de aprendizado com novas drogas melhorou, havendo um crescimento muito grande de estudos clínicos, a medicina personalizada passou a ser uma realidade no consultório. O que atualmente pode influenciar no tratamento.

A atribuição da idade como fator determinante de tratamento é arriscada, pois temos estudos que evidenciam uma melhora da sobrevida em pacientes idosos que receberam tratamento, tal qual os jovens. Nos próximos anos muito se evoluirá a respeito desse tema, e aí poderemos fazer decisões mais acertadas e baseadas em evidências.

No momento, o que sabemos, é que existem alguns obstáculos no tratamento do idoso, muitas deles alimentados por crenças sustentadas mas não documentadas, como: maior recusa de tratamento por parte de idosos, maior toxicidade, câncer menos agressivo em idosos e por fim a crença de que idosos não desejam prolongar a vida.

O que podemos concluir dos trabalhos atuais é que os idosos com bom desempenho clínico apresentam benefícios semelhantes a pacientes mais jovens, toxicidade é aceitável. Mas ainda temos carência de estudos nessa população. No futuro, teremos respostas para perguntas relativas a esse grupo de pacientes.

Artigo comentado por: Samira Mascarenhas.