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Depressão e Sobrevida em Câncer de Pulmão de Não Pequenas Células

A depressão é uma doença incapacitante que causa intenso sofrimento para os pacientes e seus familiares, com importantes repercussões na qualidade de vida. Estudos recentes têm demonstrado que a depressão está associada à progressão da doença e redução da sobrevida em populações específicas de pacientes oncológicos (Pinquart et al, 2010). O uso de instrumentos de rastreio breve é uma estratégia para aumentar a identificação dos quadros depressivos, e facilitar a discriminação entre tristeza normal e síndromes depressivas, e que já encontram-se disponíveis e validados para a população brasileira (Bottino S, 2009; 2011).

O estudo intitulado “Depression and Survival in Metastatic Non-Small-Cell Lung Cancer: Effects of Early Palliative Care” (Pirl et al, 2012), comparou os efeitos da introdução precoce dos cuidados paliativos: EPC: Early Palliative Care, integrados ao tratamento oncológico com uma amostra de 151 pacientes recém diagnosticados com câncer de pulmão de não pequenas células metastático, que foram rastreados para a presença de sintomas depressivos, e que foram acompanhados e tratados durante um período de 12 semanas.

Os pacientes foram avaliados quanto a presença de sintomas depressivos e diagnóstico de Depressão Maior no tempo zero , em seguida encaminhados para dois grupos: a) tratamento oncológico padrão e b) tratamento oncológico padrão + cuidados paliativos.

O aumento da sobrevida em três meses foi observado em 151 pacientes com câncer de pulmão de não pequenas células que foram encaminhados precocemente acompanhados com cuidados paliativos, integrado ao tratamento oncológico padrão, em um estudo controlado e randomizado, publicado no New England em 2010 (Temel et al, 2010) no grupo de pacientes que receberam precocemente cuidados paliativos, integrado ao tratamento oncológico padrão. Esse desfecho é animador, considerando a média de sobrevida desses pacientes, habitualmente em torno de 8 a 10 meses. A presença de Depressão Maior, por sua vez, significativamente predizeu uma piora da sobrevida, nessa mesma amostra, no estudo que passaremos a comentar.

Os sintomas depressivos foram avaliados com um instrumento para o rastreio rápido da Depressão Maior : PHQ, segundo os critérios diagnósticos do Manual Estatístico dos Transtornos Mentais – DSM-IV (a Bíblia dos psiquiatras), para o uso em pacientes em cuidado primário. O PHQ já foi validado para o uso no Brasil e consiste em duas perguntas:

Esse instrumento
Resultados e Discussão.

Profª. Dra. Sara Mota Borges Bottino, psiquiatra e psicoterapeuta.