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[ASCO 2017] Resumos

Caros colegas,

Preparamos para vocês um resumo dos principais trabalhos em câncer de pulmão apresentados na ASCO 2017. Ao longo da semana receberão comentários feitos pelos membros do GBOT presentes no congresso.

Muito obrigada a cada um de vocês que contribuiu para esse trabalho.

Boa leitura a todos.

Att

Samira Mascarenhas e Ana Gelatti.

Abstract 9009
Evolution and clinical impact of genomic alterations detectable in circulating tumor DNA of 1150 advanced EGFR-mutant (mt) lung cancer patients.
Comentado: por Carlos H teixeira
Oncologista do Hosp. Alemão Oswaldo Cruz e CpO

Neste poster os autores fizeram NGS (focando 70 genes) em DNA circulante de 1150 pacientes com mutação de EGFR e correlacionaram com resposta de 81 pacientes em que os resultados eram conhecidos. Alterações genéticas variáveis podem ocorrer conjuntamente com EGFR – ao contrario do que se acreditava; numa media de 3,6 alterações genéticas (media de 1-18); as mais frequentes foram TP53, CDK6, PI3K, MYC, CTNNB1. Essas alterações foram mais frequentemente associadas com resistência aos inibidores, sendo co-alteração em genes do ciclo celular fortemente ligado com resistência (33×0%). Estes achados merecem ser analisados em um estudo prospectivo.

Abstract 9010
Association of ALK resistance mutations by EML4-ALK variant (v3 vs non-v3) in ALK+ non-small cell lung câncer
Comentado: por Carlos H teixeira
Oncologista do Hosp. Alemão Oswaldo Cruz e CpO

Neste poster realizado pela Foundation One em 634 pacientes ALK+ focando as variantes do EML4 quando do rearranjo com o ALK. As variantes mais frequentes foram v1 (E13;A20) e v3a/b (E6a/b; A20) encontradas em 32% dos pacientes respectivamente. Também ficou claro que a presença de mutações de resistência esta mais associado com variantes v3 (24/204) versus v1 (4/200). Nesta database a mutação de resistência mais frequentemente encontrada foi G1202R e significamente associada com a variante v3. Também foi encontrado uma nova via de resistência – duplicação do domínio quinase do MET, geralmente associado com a variante v1. Os autores concluem que o conhecimento da variante do rearranjo pode predizer resistência; tal fato também necessita de validação de estudo prospectivo.

Abstract 9016
STK11/LKB1 co-mutations to predict for de novo resistance to PD-1/PD-L1 axis blockade in KRAS-mutant lung adenocarcinoma.
Comentado Por Fernando Moura, Oncologista Clínico Do Hospital Albert Einstein

O estudo analisou retrospectivamente 162 pacientes que tinham mutação de KRAS e que foram tratados com, ao menos, 1 ciclo de imunoterapia (Pembrolizumab, Nivolumab, Durvalumab ou terapia combinada de anti-PD-1 e anti-CTLA-4). Os pacientes com mutação somática de STK11 em concomitância com mutação em KRAS tiveram piores desfechos de sobrevivência em relação aos pacientes com mutação isolada de KRAS (quando submetidos a imunoterapia). Assim, os autores sugeriram que a análise de comutações em KRAS deveria ser considerada, a fim de predizer desfechos clínicos em pacientes tratados com imunoterapia.

Abstract 9017
Osimertinib compared to docetaxel-bevacizumab as third-line treatment in EGFR T790M mutated non-small cell lung cancer.
Comentado Por Fernando Moura, Oncologista Clínico Do Hospital Albert Einstein

Esse estudo de fase III (aberto, 3a linha de tratamento) randomizou pacientes com mutação EGFR-T790M adquirida e previamente tratados com quimioterapia e TKI (sem importância da sequência) para receberem Osimertinib ou Docetaxel em combinação com Bevacizumab. Objetivo primário foi PFS e secundários ORR, OS e toxicidades. Era permitido Crossover. Um total de 144 foram randomizados (74 para Osimertinib e 73 para QT/Bev). A mediana de PFS foi favorável a Osimertinib (10.2 X 2,9 meses; HR=0,23 – p<0.0001), bem como taxa de resposta global (Osimertinib 61% x Docetaxel/Bevacizumab 8%). As toxicidades foram menores, além disso, nos pacientes tratados com Osimertinib.

Abstract 9020 MET amplification(amp) as a resistance mechanism to osimertinib.
Comentários: Lucianno Santos – oncologista clínico e coordenador médico do Grupo Acreditar/Oncologia D’or – Brasilia-DF.

O estudo apresentado neste pôster analisou 23 pacientes com câncer de pulmão não pequenas células metastático com mutação EGFR e que adquiriram resistência após uso do OSIMERTINIBE. Os pacientes foram submetidos a nova biópsia e/ou análise DNA tumoral circulante no plasma (ctDNA). Os resultados mostram que amplificação de MET foi o mecanismo de resistência mais encontrado (30% dos casos) seguido de EGFR T790M/C797S (22%). Perda da mutação T790M foi vista em 26% dos pacientes sem que houvesse, contudo, identificação de um mecanismo de resistência. A taxa de concordância entre a biópsia tecidual e a biópsia liquida foi de 64%. Resultados como estes reforçam a necessidade de mais estudos incorporando inibidores de MET ao tratamento deste grupo de pacientes bem como análise dos mecanismos de resistência ao OSIMERTINIBE.

Abstract 9011 Título KEYNOTE-001: 3-year overall survival for patients with advanced NSCLC treated with pembrolizumab.
Comentado por: Aknar Calabrich – Oncologista clínica AMO, membro do GBOT.

Nessa ASCO, o estudo Keynote 001, que avaliou o uso de pembrolizumabe em pacientes com câncer de pulmão não pequenas células avançado com expressão de PDL-1 ≥ 1%, teve a atualização de sobrevida em 3 anos. Quinhentos e cinquenta pacientes receberam permbrolizmbe na dose de 2 ou 10 mg/kg a cada 3 semanas ou 10 mg/kg a cada 2 semanas até toxicidade limitante, progressão ou desejo do investigador ou paciente. Após 34,5 meses de seguimento, 36 pacientes ainda permaneciam em tratamento (6,5%), 28 deles já tratados previamente. A sobrevida global em 3 anos foi de 26,4% em pacientes tratados na primeira linha e 19% dos pacientes previzmente tratados.O perfil de toxicidade a longo prazo foi similar ao reportado previamente e não houve teve toxicidade grau 3-5 de início tardio. Esse estudo demonstra que Pembrolizumabe em câncer de pulmão não pequenas céluas com expressão de PDL-1 confere benefício de sobrevida a longo prazo tanto em pacientes virgens de tratamento quanto em pacientes previamente tratados.

Abstract 9014: Efficacy and safety of epacadostat plus pembrolizumab treatment of NSCLC: Preliminary phase I/II results of ECHO-202/KEYNOTE-037.

Comentado por:.Carolina Kawamura Haddad,Oncologista Clínica da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo
Atualização do estudo de fase 1/2 de pembrolizumabe com o inibidor seletivo da enzima IDO1, epacadostat, em pacientes com câncer de pulmão não pequenas células demonstrou resultados bastante promissores, com perfil de segurança e toxicidade favoráveis. A taxa de resposta objetiva e de controle de doença foram de 35% e 60%, respectivamente, com respostas duradouras, independente do nível de expressão de PDL-1.

Abstract No:
9015: Molecular determinants of response and resistance to anti-PD-(L)1 blockade in patients with NSCLC profiled with targeted next-generation sequencing (NGS).
Comentado por: Carolina Kawamura Haddad,Oncologista Clínica da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo.

Este estudo correlacionou o perfil genômico de pacientes com câncer de pulmão de células não pequenas tratados com anti-PD-(L)1 combinado ou não a anti-CTLA4 com o benefício clínico duradouro, definido como resposta parcial ou doença estável por mais de 6 meses. Os pacientes foram avaliados com sequenciamento de próxima geração (NGS) de captura híbrida, incluindo carga mutacional (“tumor mutational burden” ou TMB) e alteração de número de cópias (“fraction of genome altered” ou FGA). A alta TMB teve correlação com beneficio clínico, enquanto que a alta FGA e alterações em genes como STK11, JAK2 e CD274 podem estar associados a resistência a terapia anti-PD-(L)1.

Abstract 9019
A randomized, controlled, open label phase II study of erlotinib (E) with or without the MET antibody emibetuzumab (Emi) as first-line treatment for EGFRmt non-small cell lung cancer (NSCLC) patients who have disease control after an 8-week lead-in treatment with erlotinib.
Comentado por: Igor Lemos Duarte, Oncologista Clínico do Centro Paraibano de Oncologia e Hospital Napoleão Laureano.

A expressão do MET é um mecanismo de resistência à inibição do EGFR em pacientes com nsclc com mutação do EGFR. O estudo consiste em testar emibetuzumab, um anticorpo monoclonal humanizado que bloqueia a sinalização HGF/Met, em associação com Erlotinib versus Erlotinib isolado
141 pacientes EGFRmt , nsclc estadio IV, foram randomizados 1:1. Sobrevida livre de progressão na população analisada por intenção de tratamento não mostrou diferença significativa( EMI+ E 9.3m x E 9.5m p0.543).
Entretanto, análise exploratória de pacientes com alta expressão de MET( 3+ em >= 90% das células tumorais) mostrou grande aumento na sobrevida livre de progressão no grupo EMI + E( 20.7 m) x E ( 5.4 m) HR 0.39.
O estudo nos traz importante informação acerca da hiperexpressão do MET como um marcador prognóstico negativo em pacientes tratados isoladamente com erlotinib, sugerindo forte benefício de sua associação com emibetuzumab

Abstract 9018
Complete clearance of plasma EGFR mutations as a predictor of outcome on osimertinib in the AURA trial.
Comentado por: Igor Lemos Duarte, Oncologista Clínico do Centro Paraibano de Oncologia e Hospital Napoleão Laureano.

Osimertinib, um inibidor de Tirosina Kinase seletivo, proporciona intensa e duradoura resposta nos pacientes portadores de nsclc avançado, positivos para T790M, com progressão prévia a TKI anti Egfr.
O racional do estudo foi avaliar o quanto os níveis plasmáticos de mutações EGFR pós osimertinib estão associados a desfechos clinicos.

Pacientes do estudo AURA, positivos para T790m foram submetidos a coleta plasmática baseline e pós 6 semanas de osimertinib. Do total de 143 pacientes co mutações detectáveis, 64% dos pacientes apresentaram um clearance das mutações. Neste grupo, tanto a sobrevida livre de progressão(10.5 meses x 5.5 meses) quanto a taxa de resposta( 79% x 35%) foram superiores ao grupo onde o clearance não foi obtido. O estudo se reveste de importância prognóstica de desfecho clínico, de maneira precoce e por análise sérica, quanto potencialmente preditiva , para eventual combinação de terapias-alvo, dado a persistência de mutações após 6 semanas de osimertinib, indicando a presença de mecanismos de resistência heterogêneos.